Quando entrar na internet era um evento
Há 20 anos não era um fardo estar online como hoje. Era divertido. A gente se programava, agendava.
No início, só um amigo, o abastardo, tinha acesso aos primeiros provedores pagos de internet, antes do surgimento do cachorrinho fofo da iG.
Sala de bate-papo da Uol, o site Charges do Mauricio Ricardo que demorava a carregar os primeiros vídeos, os primeiros blogs.
E aí veio a primeira rede de Fotos: o Fotolog. Mas nada de carrossel de fotos, reels e stories: só podíamos colocar uma foto por dia e só permitia 10 comentários diários.
Era lindo, mostrava as nossas fotos anteriores do lado esquerdo, a dos nossos amigos do lado direito e a nossa atual no centro.
Tinha esse nome de Fotolog porque realmente as pessoas postavam uma foto legal, e postavam um texto no estilo blog abaixo dela.
Mas não se impressione com foto legal. Não existia câmera digital para todos nos primeiros anos dos anos 2000: ou escaneávamos as fotos que tirávamos das câmeras analógicas, também através de um amigo privilegiado que tinha um scanner, ou tirávamos uma foto de qualidade tosca na webcam.
E sim, éramos felizes. Postávamos esta foto, curtíamos nosso dia fora da internet, e postávamos somente no dia seguinte.
Quando o Fotolog chegou no Brasil, eu estava no final da minha adolescência mas já trabalhava no meu primeiro emprego como CLT. E fazia faculdade à noite. Então meus momentos online eram preciosos: sabia justamente o que fazer quando entrasse, afinal a internet ainda era discada, cara e lenta. Tinha que ser objetivo ficar online.
Hoje a nossa vida fora da internet é ínfima.
Temos que mudar isso.
Tenho reduzido bruscamente meu tempo nas redes sociais e quando entro em alguma dela, já entro com um objetivo. Já sei qual perfil irei ver, ao invés de passar horas em uma timeline infinita. Coisa que não existia há 25 anos atrás.
Por uma Internet mais seletiva para todos nós.
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