Sobre voltar a fazer planos

Sempre fui uma pessoa que gostava de planejar: programava viagens, criava metas, programações para um ano inteiro. Até que surgiu a pandemia e com ela um burnout, uma depressão, um desânimo da vida. Perdi o gosto por todos os meus hobbies. Só comia e dormia e assim ganhei 30kg. Segui assim por mais de dois anos. Sem expectativas, rolando timelines infinitas, vivendo a vida dos outros enquanto a minha própria vida estava estagnada. Até que depois de psicoterapia, pilates, curso do Supera para o cérebro (já que até tremores nas mãos eu passei a ter), eu fui voltando a ser o que fui um dia. Mas não aquela pessoa acelerada que eu era. As programações anuais anteriores, hoje se limitam a mensais no máximo. Já não busco muitos likes, já não tenho muitos “amigos”. Afinal, quem quer ficar perto de uma pessoa que tem depressão? Poucos sobraram e graças a Deus porque sei que esses são os de verdade. Minhas metas mudaram: hoje não quero status e sim qualidade de vida e a saúde mental em dia. Admito as pessoas ambiciosas. Já fui uma delas. Mas hoje, aos 40, prefiro estar na média e feliz.

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